MEU QUERIDO DIÁRIO

Autora

Vera Regina Soares dos Santos

Escola

EMEF Pinguirito

Resumo

Atualmente, um dos maiores desafios para um professor (a) em sala de aula é desenvolver nas crianças, ainda pequenas, a habilidade de lidar com suas emoções. Em março de 2020, quando as aulas presenciais foram suspensas, por conta da pandemia da COVID-19, iniciando um longo período em que os alunos precisaram ficar em casa com atividades remotas, eu tive uma grande preocupação em relação à saúde mental dessas crianças. Essa foi a minha primeira motivação: oportunizar que as crianças refletissem sobre o que estão sentindo, sobre o momento que estão vivendo e o que poderia estar causando uma chateação, já que suas rotinas foram viradas do avesso, sem aviso prévio. Junto a essa preocupação veio a possibilidade de trabalhar com a escrita espontânea, grafia e pontuação correta, e o reconhecimento do gênero diário, com sua estrutura e finalidade.  Não tínhamos ideia de que a quarentena se prolongaria, então, no decorrer dos dias, foram apresentadas diversas publicações que trazem o “diário”, permitindo que pudéssemos ampliar algumas aprendizagens como rimas, aumentativo e diminutivo das palavras, feminino e masculino, órgãos do sentido. Esse trabalho resultou em um aprendizado muito significativo, desenvolvendo a sensibilidade, a criatividade, a escrita espontânea, e a leitura. O desenvolvimento do projeto se deu da seguinte maneira: Inicialmente foi apresentado às crianças o gênero diário. Foi mostrada a capa do livro “Diário de Julieta”, de Ziraldo, com o objetivo de provocar expectativas em relação ao texto, personagem, título, imagem,... em seguida, a proposta para a construção do diário, que, naquele momento, seria como ter um amigo para conversar e contar das alegrias, tristezas, medos, frustrações e outras emoções e sentimentos que por ventura viessem a brotar. As crianças precisavam compreender o diário como uma forma de melhor amigo (a) que apenas nos escuta, e pode guardar até um segredinho. As crianças puderam produzir uma capa diferente para o diário e contaram com o meu incentivo, que também fiz o meu. A partir daí, a escrita no diário era uma constante, fazia parte das atividades, que a cada cenário novo incentivava os alunos a dialogarem sobre o que estávamos vivenciando. Por exemplo: trabalhamos a temporada da tainha, com um mascote para ajudar a contar a história, seu Quinzinho, um velho pescador aposentado com muita experiência na pesca. Seu Quinzinho além de sua experiência profissional tinha muita experiência de vida, uma pessoa respeitada na comunidade. A proposta foi para que as crianças pensassem em alguém da sua família, com bastante experiência de vida e que pudesse lhe ensinar alguma coisa ou lhe contar uma boa história. Depois dessa conversa, registrar tudo no diário, porque tem histórias que precisam ser guardadas para sempre. A participação dos alunos nas atividades do projeto “Meu querido diário...” foi bem positiva, alcançou em torno de 70% da turma, uma vez que o retorno foi via whatsapp e algumas famílias não conseguiram dar o suporte necessário às crianças em casa.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Palavras-chave

Diário; escrita; emoções.